sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Artigo sobre Dislexia

A DISLEXIA COMO UMA DAS PRINCIPAIS CAUSAS DOS DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM NA ÁREA DA LEITURA E DA ESCRITA.

Nelita Pires de Figueiredo - Psicopedagoga Clínica e Institucional – FAED - UNIC
E-mail: nelita.pires@hotmail.com


O objetivo deste artigo é discorrer sobre a importância de se entender a DISLEXIA como um dos múltiplos fatores que interferem no processo de ensino-aprendizagem.

Por que uma criança não consegue aprender da mesma forma e no mesmo tempo dos demais colegas de sala de aula, embora apresente inteligência normal, integridade sensorial e receba estimulação e ensino adequados? Ainda nos dias atuais essa criança chega  a ser confundida com portadores de necessidades especiais e muitas vezes, sendo rotulada, de deficiente mental, incompetente, desleixada ou irresponsável.  O que essa atitude dentro da sala de aula, tem acarretado ao aluno que não consegue ler, escrever e não tem boa ortografia para idade? Pode a criança ser responsabilizada por tais deficiências? 
Entre as várias causas de problemas de aprendizagem, as últimas descobertas científicas apontam para Dislexia sendo uma delas. O termo dislexia é aplicável a uma situação na qual a criança é incapaz de ler com a mesma facilidade com as quais lêem crianças com faixa etária correspondente. 
De acordo com estudos realizados, a definição de DISLEXIA vem do grego e do latim: Dis, de distúrbio, vem do latim, e Lexia, do grego, significa linguagem. Então, a Dislexia é uma disfunção neurológica que apresenta como conseqüência dificuldades na leitura e escrita.
“Entendemos por dislexia específica ou dislexia de evolução um conjunto de sintomas reveladores de uma disfunção parietal (o lobo do cérebro onde fica o centro nervoso da escrita), geralmente hereditária, ou às vezes adquirida, que afeta a aprendizagem da leitura num contínuo que se estende do leve sintoma ao sintoma grave. A dislexia é freqüentemente acompanhada de transtornos na aprendizagem da escrita, ortografia, gramática e redação. A dislexia afeta os meninos em uma proporção maior do que as meninas” (M. Condemarin e M. Blomquist, Dislexia, manual de leitura corretiva, p. 21).
Ao que parece, por trás desses problemas específicos de aprendizagem, existe sempre um fator biológico, hereditário, isto é, há uma tendência de a mesma dificuldade ocorrer em outros membros da família. O disléxico tem geralmente uma história de vida, na qual, algum parente próximo apresenta a mesma deficiência de linguagem. Outras vezes, nasceu provavelmente de um parto difícil, em que podem ter ocorrido algum destes problemas: a- anoxia, ou seja, asfixia relativa; b- prematuridade do feto ou peso abaixo do normal; c- hipermaturidade, ou seja, o nascimento passou da data prevista para o parto. Adquiriu, quando criança, alguma doença infectocontagiosa, que tenha produzido convulsões ou perda de consciência. Considera-se ainda, o atraso na aquisição da linguagem ou perturbações na articulação da mesma, bem como, atraso para andar, problemas de dominância lateral (uso retardado da mão esquerda ou direita). 
Segundo Drouet (1990), o professor de Ensino fundamental não tem a formação necessária para diagnosticar graves distúrbios de aprendizagem. Através da observação cuidadosa, ele poderá detectar diferenças ou falhas nos desempenhos de seus alunos.
A desinformação e a dificuldade de identificar possíveis “sinais” de dislexia, por parte dos pais e professores faz com que a criança mantenha  esse  problema por todo o considerado período da primeira infância. No entanto, vários estudos realizados têm constatado possíveis sinais de dislexia nesse período, por exemplo, parece difícil para essa criança entender o que está ouvindo; tendência a hiper ou a hipo-atividade motora; dificuldade para aprender a andar de triciclo; atraso no desenvolvimento motor desde a fase do engatinhar, sentar e andar; atraso ou deficiência na aquisição da fala; chora muito e parece inquieta ou agitada com muita freqüência entre outros. 
Algumas características  marcantes da criança em idade escolar, sendo sintoma mais notório,  a acumulação e persistência de erros ao ler e escrever. A análise qualitativa da leitura oral de um disléxico revelará alguma ou várias das seguintes dificuldades:
1 – confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia: a-o; c-o; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n; v-u; etc.
2 – Confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço: b-d; b-p; b-q; d-b; d-p; d-q; u-n; w-m; a-e.
Nelita Pires de Figueiredo*
3 – Confusão entre letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x; c-g; m-b; m-b-p; v-f.
4 – Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me-em; sol-los; som-mos; sal-las; pal-pla.
5 – Substituição de palavras por outras de estrutura mais ou menos similar ou criação de palavras, porém com diferente significado: soltou/salvou; era/ficava.
6 – Contaminações de sons.
7 – Adições ou omissões de sons, sílabas ou palavras: Famoso substituído por fama; casa por casaco.
8 –   Repetição de sílabas, palavras ou frases.
9 –  Pular uma linha, retroceder para a linha anterior e perder a linha ao ler.
10 – Excessivas fixações do olho na linha.
11 –Soletração defeituosa: reconhece letras isoladamente, porém sem poder organizar a palavra como um todo, ou então lê a palavra sílaba por sílaba, ou ainda lê o texto “palavra por palavra”.
12 – Problemas de compreensão.
13 – Leitura e escrita em espelho em casos excepcionais.
14 – Ilegibilidade.
15 – Em geral, a dificuldade do disléxico no reconhecimento das palavras obrigam-no a realizar uma leitura hiperanalítica e dedifratória. Como dedica seu esforço à tarefa de decifrar o material, diminuem significativamente a velocidade e a compreensão necessária para a leitura normal.
Sendo comum que estas com mais de doze anos de idade não revelem os sinais descritos através do exame de sua leitura oral, entretanto é fácil detectá-los na leitura silenciosa: ao ler, realizam uma leitura subvocal, isto é murmuram ou movem os lábios, já que se vêem obrigados a pronunciar as palavras para poder compreendê-las. Na medida em que, ao ler em silêncio, utilizam a mesma técnica que na leitura oral, a velocidade resulta excessivamente lenta. 
Conforme Jonhson e Myklebust (1987), as características descritas na leitura dos disléxicos raramente se apresentam isoladamente. Freqüentemente se acompanham de outras perturbações que alteram a aprendizagem., as mais comuns são: 
Alterações de memória: Alguns disléxicos apresentam dificuldades para a lembrança imediata. Outros apresentam muita dificuldade para lembrar fatos passados. Alguns não conseguem lembrar palavras ou sons que escutam. Outros apresentam dificuldades para memorizar visualmente os objetos, palavras ou letras.
Alterações na memória de séries e seqüências: Freqüentemente o disléxico apresenta dificuldade para aprender séries, tais como os dias da semana, meses do ano e o alfabeto. Custa-lhe a aprender a olhar a hora e tem dificuldades para relacionar um acontecimento com outro no tempo. 
Orientação direita-esquerda: Freqüentemente são os disléxicos incapazes de orientar-se com propriedade no espaço e aprender a noção de direita e esquerda. Geralmente a criança não consegue situar a direita e a esquerda em seu próprio corpo ou quando olha para outra pessoa. Quando tenta obedecer a instrução na sala de aula ou na ginástica, sente-se confusa e frustrada. Da mesma forma, tem forma tem freqüentes dificuldades para situar-se com relação aos mapas, globos terrestres e em seu próprio ambiente.
Linguagem escrita: Quando a criança não consegue ler com facilidade, tampouco consegue utilizar com propriedade os símbolos gráficos da expressão escrita. Em geral, o disléxico, caso não for severamente disgráfico (letra ilegível), consegue copiar, porém quando escreve um ditado e na escrita espontânea (dissertação) revela sérias complicações. Na maioria dos casos apresenta disortografia. Além, disso tem dificuldades para expressar idéias com base sintaxe, seqüência e estrutura adequadas. Quando escreve, revela sinais de confusões, inversões, adições, omissões e substituições.
Dificuldades em matemática: O disléxico pode ser capaz de automatizar os aspectos operatórios, porém apresenta dificuldades para aplicá-los na solução de problemas reais. Às vezes essa dificuldade provém do fato de ele não poder entender a formulação do problema, já que lhe é difícil ler. Nos disléxicos graves, falham também os aspectos operatórios, pois, eles invertem os números ou então sua seqüência. 
                                            
 Outras pesquisas revelam ainda que, pode ocorrer dificuldade de aprendizagem independente da dislexia. A escrita de trás para frente e as inversões de letras e palavras são comuns nos “estágios iniciais” do desenvolvimento da leitura entre as crianças. 
Outra revelação importante é que pelo fato da dislexia refletir num transtorno lingüístico, não há evidências de que o treino dos olhos possa diminuir o distúrbio. Tendo os disléxicos problemas na “nomeação” de letras “não na cópia” destas, implica que mesmo que ele aprenda a ler o fará de maneira lenta, o que se leva a concluir que a dislexia não é superada.
Para Orton, 1937 (apud. Drouet, 1990, p. 139), a dislexia seria explicada por uma inadequada instalação de dominância lateral (lateralidade). Drouet (1997) Explica que Orton se inspirou nos trabalhos de Broca que descreveu o centro de articulação da palavra em 1865. BROCA admite queo predomínio funcional de um lado do corpo se deve não à educação, mas sim à supremacia de um hemisfério cerebral sobre o outro. A escrita em espelho, o retardo da linguagem e a gagueira são também explicáveis, conforme Orton, por esse conflito de dominância dos hemisférios cerebrais por muitos autores.

CONCLUSÃO 

Ser disléxico é condição humana e cada um tem o seu jeito de ser e de aprender. A Dislexia é um distúrbio real que interfere no processo de aprendizagem de leitura, por provocar na criança dificuldades específicas na aprendizagem da identificação dos símbolos gráficos; acarretando insucesso em outras áreas que dependem da leitura e da escrita. Contudo, há um desconhecimento quase que generalizado acerca desse assunto. Considerando que a dislexia ainda não é reconhecida e muitas vezes não é aceita por professores, pelos pais, enfim pela sociedade, sendo ignorada em casos de retenção de alunos ou evasão escolar em nosso país,  não se deve associá-la à desatenção, desmotivação, condição socioeconômica, baixa inteligência ou má alfabetização. Isso revela atitudes preconceituosas dentro da sala de aula, o que tem desmotivado ainda mais o aluno que não consegue ler, escrever e não tem boa ortografia para idade. Na verdade, a dislexia tem sido vista, pelos pesquisadores como circunstância hereditária devido a alterações genéticas, sendo caracterizada por apresentar alterações no padrão 
neurológico do indivíduo. Tornando-se essencialmente necessário que o educador reconheça na criança características dos chamados distúrbios de aprendizagem, assumindo desafios de criar metodologias eficientes, no sentido de acolher cada uma delas, respeitando e entendendo sua individualidade; sendo necessário que se investigue, compreenda e se discuta como esta criança pode aprender adequadamente. Portanto, o diagnóstico e o tratamento cabem a uma equipe multidisciplinar  quanto  mais cedo melhor, diminuindo assim o sentimento de incapacidade, de baixa auto-estima entre outros. Tornando-o assim um sujeito  independente e auto-suficiente. 

REFERÊNCIAS

CONDENARIN,  M.;   BLOMQUIST,  M.;  Dislexia: manual de leitura corretiva. 3ª edPorto Alegre: Artes Médicas, 1989.           
 DROUET, Ruth Caribe da Rocha. Distúrbios de aprendizagem, 3ª ed. São Paulo: Ática, 1990.
JOHNSON, D.J.  & MYKLEBUST, H.R.  Distúrbios de aprendizagem. 2ª ed. São Paulo:  Pioneira, 1987. 
JOSÉ, E. A. & COELHO, M. T. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Ática, 1993.


 
Joao Beauclair
Enviado por Joao Beauclair em 04/01/2010
http://www.profjoaobeauclair.net/visualizar.php?idt=2010544

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Síndrome do X Frágil


  

O que é o X-Frágil?

Histórico:

Em 1969, o pesquisador Herbert Lubs, observou através do Estudo Citogenético (ou Cariótipo), em uma família com dois irmãos que apresentavam comprometimento intelectual, uma falha (chamada sítio frágil) na região distal do braço longo do cromossomo X destes indivíduos. Nos anos 70, Grant Sutherland denominou o nome de X-frágil a este cromossomo. Foi possível, então, caracterizar o conjunto destes sinais e sintomas passando então a ser usado o nome Síndrome do X Frágil. Em 1991 três grupos independentes de pesquisadores, na França, Holanda e Austrália, clonaram o gene FMR1, constatando ser este o gene responsável pela Síndrome do X Frágil. Em 1997 William Greenough e colaboradores (EUA, Bélgica e Holanda) mostram sua pesquisa definindo a proteína proveniente do gene FMR1: a proteína FMRP.

Esta proteína é responsável pela maturação das sinapses e sua ausência ou drástica redução é a causa do comprometimento intelectual nos afetados pela Síndrome.
O que é?

A Síndrome do X-Frágil está diretamente ligada a um defeito no cromossomo X, o qual contém a causa mais frequente do comprometimento intelectual com caráter hereditário, afetando o desenvolvimento intelectual e o comportamento de homens e mulheres. Um (1) em cada 4000 homens (nascidos vivos) e uma (1) em cada 6000 mulheres (nascidas vivas) são afetadas por esta Síndrome.

No Brasil não há estatísticas formais. Constata-se, porém, um frequente desconhecimento dessa causa de comprometimento intelectual, tanto por parte de profissionais da área da saúde como da educação e, consequentemente, por parte da população em geral. Portanto, não é uma síndrome rara. É pouco conhecida e diagnosticada, já que sua investigação, comprovação e descrição científicas são recentes.

O que causa?
A maioria dos mamíferos normais possuem o gene FMR1, inclusive o ser humano. Na Síndrome do X-Frágil este gene, por uma série de fatores é anulado, não produzindo seu produto final, a proteína FMRP.

O mecanismo da mutação é a variação do número de cópias de uma repetição instável de trinucleotídeos - CGG (Citosina-Guanina-Guanina), na extremidade 5’ do gene FMR1. O aumento do número de repetições acontece ao longo das gerações. Nos indivíduos normais da população, o número de cópias desta sequência de CGG varia de 6 a 40 e o gene está ativo, produzindo quantidades normais de proteína FMRP. Na Zona Gray, ou chamada limítrofe, o número de repetições varia de 40 a 55 cópias. Estes indivíduos em geral, não têm deficiência intelectual, mas podem apresentar alterações na aprendizagem, na área comportamental e emocional. Já de 55 a 200 cópias existe uma etapa chamada de pré-mutação. Nesta etapa, os indivíduos podem apresentar um comprometimento emocional (como ansiedade e depressão) e 20% das mulheres apresentam menopausa precoce (menopausa antes dos 40 anos de idade). Os homens pré-mutados podem apresentar alterações acima de 60 anos de idade. Alterações estas que se manifestam como um tipo de Mal de Alzheimer associado a um tipo atípico de Mal de Parkinson. Esta nova síndrome foi chamada de FXTAS.

Na mutação completa, o número de repetições é superior a 200, podendo chegar a milhares de trinucleotídeos. Indivíduos com mutação completa são chamados de “ X-Frágil”.
Doença hereditária:

É a segunda Síndrome com comprometimento intelectual mais frequente após a Síndrome de Down e a mais frequente herdada (familiar). Estudos indicam que o número de repetições de trinucleotídeos tende a aumentar a cada geração, principalmente quando transmitida por uma mulher portadora da pré-mutação. Sendo assim, o risco para a prole de mulheres portadoras da pré-mutação é maior a cada geração. Nas mulheres afetadas pela mutação completa, o quadro clínico é, em geral, menos grave provavelmente pela compensação do segundo cromossomo. Devido a um dos cromossomos “X” ser alterado, a mulher pré-mutada possui 50% de chances de enviar para a próxima geração: ou um X normal ( filho seria então normal) ou uma pré-mutação (filho igual a ela) ou transformando-se numa mutação completa ( filho afetado).

Quando o pai é portador da pré-mutação, este passará o gene alterado para todas as suas filhas, mas não para os seus filhos. Os homens com a pré-mutação a transmitem para suas filhas com o número de repetições praticamente sem alteração.
Como é diagnosticado?
Os sinais e sintomas da Síndrome do “X -Frágil”, por serem semelhantes a outros casos de atrasos e distúrbios gerais de desenvolvimento, necessitam de confirmação através de exame genético com técnicas especiais.

Atualmente, com os diagnósticos precisos, através da biologia molecular (DNA), consegue-se fazer um correto diagnóstico.

Exame pelo DNA: o diagnóstico é realizado pelo estudo do DNA para detectar a Síndrome do X-Frágil. É feito através de amostra de sangue, analisada em laboratório de genética. Este teste identifica tanto portadores de pré-mutação como de mutação completa.

Exame citogenético (cariótipo) pode diagnosticar a Síndrome do X-Frágil mas, tendo em vista a possibilidade de resultado falso negativo neste teste, ele não é definitivo quando o resultado é negativo. Além disto, exames citogenéticos não identificam portadores da pré-mutação ou pessoas portadoras da zona limítrofe, pois não é possível saber o número de repetições.

Se o resultado do teste for positivo para a síndrome, deve-se procurar aconselhamento genético.

Quando se sabe que um membro da família é portador da síndrome, os outros familiares devem ser testados.

Mulheres que pretendem engravidar devem fazer o teste, se qualquer membro da família apresentar traços característicos do X-Frágil. O planejamento familiar precisa considerar os riscos de transmissão do gene alterado. O diagnóstico pré-natal já pode ser realizado. O estudo do DNA das células das vilosidades coriônicas permite o diagnóstico de fetos portadores da mutação completa no primeiro trimestre de gestação.

Só o diagnóstico conclusivo permite definir estratégias de atendimento mais adequadas para o desenvolvimento dos indivíduos afetados pela Síndrome do X- Frágil.

A precisão dessa prova pode orientar ou redirecionar tratamentos, visando torná-los mais específicos. Possibilita, igualmente, aconselhar as famílias afetadas sobre os riscos de recorrência e as possíveis opções reprodutivas.

Existe Tratamento?
Não existe cura para a Síndrome do “X-Frágil”, mas muitos experimentos terapêuticos e socioeducacionais têm sido realizados com êxito, auxiliando o indivíduo a conquistar um convívio familiar, escolar e social. No entanto intervenções de atendimentos especializados a estas pessoas podem minimizar os seus problemas.


Crédito: Associação Catarinense da Síndrome do X Frágil 
 http://www.xfragilsc.com.br/home.htm

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Inclusão e Diversidade no olhar de meu querido profº João Beauclair



Pedagogia da Amorosidade: Inclusão e Diversidade no Encontro do humano com o Humano.

Pedagogia da Amorosidade: Inclusão e Diversidade no Encontro do humano com o Humano.
Professor João Beauclair

“Ninguém é tão grande que
não possa aprender,
nem tão pequeno
que não possa ensinar”
Voltaire

Como Ensinantes do presente, somos desafiados a refletir sobre algumas palavras importantes para todos nós: Inclusão, Diversidade e Amorosidade, caminhos que estarão sempre em permanente construção, caminhos que se fazem de dentro para fora. Uma frase, atribuída a Carl Gustav Jung, nos diz que “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.
Despertar e sentipensar sobre Inclusão, Diversidade e Amorosidade, mais que elaborar teorias, é tecer convites para viagens interiores, rumos às mudanças de pensamentos e concepções para nutrir nossas atitudes. Inclusão e Diversidade podem parecer temas novos, mas sempre estiveram presentes nos desafios humanos de viver a Amorosidade em sua plenitude. Hoje, pode parecer novo e desafiante, mas sabemos que nos tempos passados de nossa história, há todo um percurso de lutas e lidas que nos trouxeram até aqui, com seus retrocessos e avanços.
Seguimos no caminhar e situamos a humanidade num momento de encruzilhada entre guerras e paz, entre bombardeios e expectativas de compreensão e a tolerância, entre o valioso respeito e o extermínio do Humano pelo próprio humano. Amorosidade e Inclusão, Diversidade e Dignidade são ações, condutas, comportamentos e atitudes simples que são construídas de modo gradual, no cotidiano, nas relações que estabelecemos com os outros, com o mundo, conosco mesmos.
Construção importante que ocorre no respeitar a si mesmo e aos outros, ampliando percepções e compreendendo que todos nós somos verdadeiramente iguais e diferentes ao mesmo tempo, únicos em nossas singularidades, em nossas subjetividades .
Na contemporaneidade, é vital uma incansável busca por construirmos novos olhares . Se o presente nos desafia e se percebemos o futuro permeado de inúmeras incertezas, somos exigidos a melhor viver o hoje, o agora, compreendendo que ao desenvolvermos nossas potencialidades de Amorosidade, podemos auxiliar no traçado de metas que sejam coerentes com nosso maior tesouro: saber que somos humanos.
Vivemos um tempo hiperativado e os avanços nos campos da comunicação, da informação, da tecnologia e da ciência demandam saberes outros, implicam em aprendizagens novas, para que seja possível surgir disponibilidades de acesso amplo a tais avanços, que sejam não tão somente para alguns poucos. Competências e solidariedade, aparentemente palavras desconexas, são necessárias na complexa sociedade mundial que emerge como a Aldeia Global, preconizada por McLuhan . O que se torna inadmissível é aceitar que a competição seja sobrepujante as relações de solidariedade e cooperação que, segundo Maturana, são as razões pelas quais vingamos como biológica espécie .
Solidariedade e cooperação, na verdade, devem ser características da Educação, que por si mesma e em sua finalidade primeira é inclusiva, pois educar é incluir todo ser humano na magia de sua própria vida, compartilhando-a com os outros e com o mundo. Educação que não se indigne com a miséria, o descaso e o abuso do poder é uma lástima, e atualmente, os maiores desafios da educação inclusiva, não são tão somente os que se referem às pessoas com “deficiências”: nossos maiores desafios são a miséria, a desorganização e o profundo descaso com os seres humanos e com a vida em sua totalidade.
Nos tempos e espaços da escola habitam possibilidades de colaborarmos para a transformação social: é tarefa nossa fugir da miséria, do descaso e do abandono e atuarmos na busca de crescimento, respeito e aceitação. É tarefa nossa assumir como condição educativa a inclusão e diversidade, com a sabedoria de articular saberes das ciências e das experiências oriundas das maneiras distintas de percepções e discriminação do real, que são diferentes e singulares em cada ser humano.
Nossas mãos podem construir ou destruir, nossos braços podem estar abertos para o acolhimento ou fechados com o intuito, nem sempre consciente, de excluir. Nossa Amorosidade, para ser real, efetiva, necessita de atitudes que se transformam em ações individuais e coletivas. Não bastam apenas intenções boas, pois não se inclui de modo parcial, mas sim plenamente, com o corpo, com a mente, com o coração e com o espírito, pois ensinar é acreditar .
Sempre existem caminhos, mesmo que abertos em terrenos rochosos e pedregosos, pois com mudanças pequenas em nosso viver atitudinal, é possível antever a geração de maiores transformações no nosso cotidiano hoje, buscando um novo amanhecer nas relações interpessoais, que se refletem no prisma social.
Você, cara leitora, caro leitor, que lê este artigo no aqui e no agora e caminha cotidianamente no campo da educação, é elemento construtor dessas mudanças no mundo que estamos vivendo: é preciso momentos de trocas e reflexões sobre a Educação que deixamos de herança para os que já estão e para os que vão habitar este plano terrestre no futuro. Em Richard Bach encontro um trecho que nos incita a ampliar estas reflexões: “O mundo é como é porque nos queremos que ele seja assim. Só quando nossa vontade muda, é que o mundo muda. Seja o que for que pedirmos, nós conseguimos. É só olhar em volta.”
Cabe-nos perceber melhores condições para intercâmbios e interações entre ensinantes e aprendentes inseridos no mundo e a proposição da Pedagogia da Amorosidade requer conhecimento, habilidade, atitude. Requer a tomada de consciência que aprendemos ao longo da vida, em nossas interações com o Saber, a Religião, a Informação, a Cultura, a Experiência, a Escola, a Família, o Ambiente e com as diferentes Mídias presentes na contemporaneidade.
Aprender é pensar, autorizar, reconhecer, desejar, intervir. O desafio é nos dedicarmos à construção do desenvolvimento integral do humano nos diferentes espaços do aprenderensinar, atentos no exercício de todos nós, - que somos, ao mesmo tempo, aprendentes e ensinantes-, da autoria de pensamento em prol de uma Ética do Cuidado que se ocupe das relações presentes no triângulo da Vida: indivíduo, sociedade, natureza, como proposto por Ubiratan D’Ambrósio .
Nestas relações, a Diversidade vai se tecendo na Teia da Vida, com muitos fios, favorecedores de plurais movimentos conscienciais vitais para uma Pedagogia da Amorosidade que se proponha ir de encontro às possíveis respostas frente aos diferentes dilemas das crises presentes na sociedade atual. Para suprimir a tripla agressão do ser humano a si mesmo, aos demais e a natureza, urge uma tripla conscientização em busca de harmonia do humano consigo mesmo, com os demais e com a natureza.
A Pedagogia da Amorosidade envolve processos de Educação Afetiva, de Educação Social e de Educação Ambiental, numa convivência reguladora dos conflitos que faça uso da não–violência e seja permeada por uma Cultura de Paz. Valores humanos como Paz, Verdade, Ação Correta e Não-violência desdobram-se em processos de solidariedade e compreensão, em movimentos de cooperação e de silêncios interiores. Desdobram-se, ainda, no espírito permanente de pesquisa e da perene busca pelo autoconhecimento, numa escuta sensível que nos oferte a possibilidade de adquirirmos a imprescindível coerência interna.
Para tanto, em processos de formação inicial e continuada de educadores, faz-se necessário a presença de estratégias integradoras e inclusivas, onde a força e suavidade da diversidade se apresentem como construção cotidiana da Amorosidade . Entretanto, é vital viabilizar cenários educativos inter e transdisciplinares humanistas, pois “(...) antes de qualquer técnica de trabalho, antes de qualquer metodologia em qualquer campo do encontro entre pessoas, o que de fato conta é o clima que se cria no momento e no lugar em qualquer encontro entre pessoas e entre grupos de pessoas acontece .”
Neste mover-se, construir a Pedagogia da Amorosidade é possível num cotidiano formativo onde alguns primeiros sejam dados no trabalho com as seguintes temáticas: Identidade, Auto-estima, Autoconfiança e Autoconhecimento. Com isso nos será possível disparar processos de conscientização a respeito de cinco habilidades essenciais ao fazer educativo: habilidades de comunicação, habilidades cognitivas, habilidades sociais, habilidades de mediação e, principalmente, habilidades afetivas. Destaco as habilidades afetivas, pois de acordo com minhas compressões, sem elas, nada se move, pois com a afetividade podemos seguir construindo e reconstruindo a cultura, cuidando de nossas orgânicas dimensões, de nossa espiritualidade, de nossas intuições. Com a afetividade, podemos continuar a ter fé em nossas atividades:

“A fé em nossas atividades
Vida e idades
Só faz sentido na busca da afetividade.
Amorosidade, encontros,
Símbolos, pessoas, amigos, luzes: solidariedade.
Destino de juntos
Caminhar no ensinar e no aprender
A ser e a viver
Na dinâmica da complexidade da vida
Vivida e revivida em todos nós.
Sincronismo, destinos, laços, caminhos, vínculos....
Somos ensinantes e aprendentes
Num presente de viver
No dia a dia de cada escola e sala de aula,
Convivências de corpo à alma
E assim,
Revelar, desvelar
Experienciar
A vivência subjetiva e concreta
Onde no diálogo façamos nossos exercícios de generosidade,
De humildade
Que fertiliza o terreno de nossas tantas perguntas e incertezas...
Nas forças de cada uma de nossas histórias,
Elementos de emoção podem nos dar novas coragens
Para atuar provocando mudanças
Mas respeitando o tempo e o espaço de cada um...
Sua idade, seus limites, sua velocidade.
Com o afeto o encontro é singeleza, troca e delicadeza,
Tempo de espera, paciência.
Elegância do saber esperar.
Com o afeto, o sentido de ser mais e melhor,
Pois, com cada humano que encontramos,
Há a possibilidade de construir a paz,
Novas idéias, novos sonhos,
Outros dias, mais amor “ .

Assim, sigo acreditando nas palavras, na poesia nossa de cada dia. No tecer de nossas palavras é viável o encontro do humano com o Humano. Todos nós somos capazes de falar, dizer, conversar com as nossas palavras. Somos capazes de ouvir as palavras dos outros e, com isso, estabelecer contatos, dialogar e sentipensar. Dialogar, sentipensar são ações nutridoras que geram novas palavras, novos sentipensamentos, novas ações integradoras, de mais Amorosidade.
A palavra é o encontro do humano com o Humano, é nossa possibilidade de novos caminhos de humanização, onde a Pedagogia da Amorosidade seja sinônimo sadio de Inclusão e Diversidade no Encontro do humano com o Humano.

Referências:
1- Professor João Beauclair é Doutorando em Intervenção Psicossocioeducativa pela Universidade de Vigo, Ourense, Galícia, Espanha. Docente de Pós-Graduação, Assessor Educacional, Palestrante e Conferencista Internacional sobre temas motivacionais, organizacionais, educacionais e psicopedagógicos. Autor de diversos artigos e livros, entre eles: “Para Entender Psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros”. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2006, (terceira edição, 2009), “Dinâmica de grupos: MOP Metodologia de Oficinas Psicossocioeducativas”. Editora WAK, Rio de Janeiro, 2009, “Incluir, um verbo/ação necessário à inclusão: pressupostos psicopedagógicos” Pulso Editorial, São José dos Campos, São Paulo, 2007 e “Me vejo no que vejo”: o olhar na práxis educativa psicopedagógica. Exclusiva Publicações, São Paulo, 2008. Site pessoal: http://www.profjoaobeauclair.net e-mail joaobeauclair@yahoo.com.br
Currículo Lattes disponível em http://lattes.cnpq.br/3331453713583083
2- Sentipensar: um neologismo aprendido com Saturnino de La Torre. Acesse http://www.profjoaobeauclair.net/visualizar.php?idt=1277479 para ler: BEAUCLAIR, João Sentipensar: Novos Modos de Ser e Estar nas Escolas, nas Famílias e nas Instituições.
3- BEAUCLAIR, João. Incluir, um verbo/ação necessário à inclusão: pressupostos psicopedagógicos. Pulso Editorial, São José dos Campos, São Paulo, 2007.
4- BEAUCLAIR, João. Subjetividade e Educação. Revista Ciência e Vida Psique, Edição Especial Psicopedagogia, ano I número 2. São Paulo: Editora Escala, 2007.
5- BEAUCLAIR, João. “Me vejo no que vejo”: o olhar na práxis educativa psicopedagógica. Exclusiva Publicações, São Paulo, 2008.
6- McLUHAN, Marshal. Mutation .Col. Medium, Mame, Paris,1990.
7- MATURANA, Humberto. Ontologia da realidade. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1997.
8- BEAUCLAIR, João. Ensinar é acreditar. Coleção Ensinantes do presente volume I. Editora WAK, Rio de Janeiro, 2008.
9- Citado por GUENTHER, Zenita Cunha. Nova Psicologia para a Educação: Educando o Ser Humano. CEDET - Centro para o Desenvolvimento do Potencial e Talento/ASPAT Associação de Pais e Amigos para apoio ao Talento. Canal 6 Editora, Bauru, São Paulo, 2009, p.185.
10- BEAUCLAIR, João. Pedagogia da Amorosidade: Educação e Vida no Novo Milênio. No prelo.
11- BEAUCLAIR, João. Por uma Poética da Existência: a Amorosidade como elemento essencial na Aprendizagem ao Longo da Vida. II Congresso Internacional de Gerontologia. Escola Superior de Educação João de Deus, Lisboa, Portugal, 2010.
12- D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Transdisciplinaridade. Palas Athena, São Paulo, 1997.
13- ALVES, Maria Dolores Fortes e BEAUCLAIR, João. Construindo estratégias integradoras e inclusivas: A força e suavidade da diversidade. Anais: II Seminário Web Currículo- PUCSP. 2010.
14- BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Aprender o Amor: sobre um afeto que se aprende a viver. Campinas, SP: Papirus, 2005, p.97.
15- Poema de minha autoria, presenteado aos ouvintes da palestra: “Afetividade e Amorosidade: Desafios à Educação do Século XXI”, proferida por mim no I Simpósio “Afetividade e inteligência: aspectos cognitivos e comportamentais para a Educação”, promovido pela WAK Projetos Culturais, em abril de 2008. Disponível no link e em apresentação no site youtube.

Publicado originalmente em:
BEAUCLAIR, João. A Pedagogia da Amorosidade: Inclusão e Diversidade no encontro do humano com o Humano. Revista Direcional Educador, Edição 72 - jan/11, São Paulo, SP, 2011.
Joao Beauclair
Enviado por Joao Beauclair em 18/09/2011

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Educação Especial, saberes e atitudes

Bom dia, queridas/os amigas/os!
Como Inclusão é um tema muito discutido em âmbito geral, vou postar um texto que encontrei no site da Nova Escola: http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/saberes-atitudes-alunos-deficiencia-511124.shtml?page=2



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vale a pena participar!!!!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dia do Leitor!


Boa noite, amigos do Blog!